sábado, 23 de abril de 2011

Razões para uma vida digna de Deus

Postado por: Edson Araújo às 08:21 Comente

Razões para uma vida digna de Deus

Referência: Colossenses 3.12-17

INTRODUÇÃO

1. Neste parágrafo Paulo continua exortando os crentes a viverem uma vida nova em Cristo. Nos primeiros versos do capítulo 3, Paulo nos exorta a buscarmos as cousas do alto, visto que estamos identificados com Cristo na sua morte, ressurreição, e entronização. Também, Paulo nos exorta a morrermos para a nossa natureza terrena.
2. Agora, depois que nos despojamos das cousas terrenas, devemos nos revestir das virtudes que caracterizam a nova vida em Cristo. Tiramos as roupas do velho homem e vestimo-nos das roupagens do novo homem.
3. A ênfase neste parágrafo fulcra-se na motivação. Por que deveríamos tirar os trapos da velha vida e nos vestirmo-nos das roupagens do novo homem? Paulo expõe quatro motivos que devem nos encorajar a andar em novidade de vida.

I. A GRAÇA DE CRISTO – V. 12-14

• Paulo relembra-nos o que a graça de Deus fez por nós:
1. Deus nos escolheu – v. 12a
• A eleição de Deus não está fundamentada nos nossos méritos (Dt 7:7-8). Ela não depende de quem nós somos ou do que nós temos feito. Deus nos escolheu por seu propósito soberano e etero (2 Tm 1:9). Só Deus conhece quem são os seus eleitos (2 Tm 2:19). Cabe-nos pregar a todos.
• A eleição de Deus é eterna, ou seja, independente das nossas obras ou fé. A fé e as obras são consequência e não causa da eleição (Ef 1:4; 2:10; At 13:48; 2 Ts 2:13).
• A eleição de Deus é em Cristo. Somos eleitos em Cristo (Ef 1:4).
• A eleição é para a salvação e para o serviço. Tem como propósito final a glória de Deus.
2. Deus nos separou – v. 12b
• Quando Deus em Cristo nos escolheu, fomos colocados à parte do mundo para pertencermos exclusivamente a Deus. Isso significa ser santo. Nós não somos de nós mesmos; nós pertencemos completamente a Deus (1 Co 6:19-20). Assim como no casamento uma mulher e um homem separam-se exclusivamente para pertencerem um ao outro, assim, na salvação, o crente torna-se propriedade exclusiva de Deus (1 Pe 2:9).
• Assim como seria escandaloso ver uma mulher ou um homem casado correr para os braços de outra pessoa, também é um escândalo um crente viver para o mundo ou para agradar a carne.
3. Deus nos amou – v. 12c
• Quando um descrente peca, ele é uma criatura quebrando as leis do criador e do juiz. Mas quando um crente peca, ele é um filho quebrando o amoroso coração do Pai. Somos amados por Deus. Seu amor se revela na criação, na providência e na redenção.
• Quanto mais respondemos ao amor de Deus, mais desejamos obedecê-lo.
4. Deus nos perdoou – v. 13
• O perdão de Deus é completo e final. Como o Deus santo pode perdoar pecadores? Por causa do sacrifício de Cristo sobre a cruz (Ef 4:32) e não por causa dos nossos merecimentos.
5. Por causa da graça de Cristo, devemos nos revestir das roupagens da nova vida – v. 12-14
• Cada uma das virtudes tem a ver com as relações pessoais. As grandes virtudes cristãs são as que dominam as relações humanas e lhes dão a tônica. O Cristianismo é comunidade.
a) Misericórdia – Como crentes precisamos manifestar ternos afetos de misericórdia uns com os outros (Fp 2:1). A violência que atrai tanto os meios de comunicação (jornais e filmes) tende a criar uma indiferença emocional frente à miséria alheia. O mundo antigo estava acostumado com o sacrifício dos animais, dos aleijados, das crianças. O Cristianismo trouxe ao mundo a misericórdia. Jesus sempre demonstrou compaixão com as pessoas que sofriam (Mt 9:36; Jo 11:35; Lc 7:13). Exemplo: José do Egito em relação aos seus irmãos (Gn 43:30; 45:1-4).
b) Bondade – Crestotes é a virtude do homem para quem o bem de seu próximo é tão caro como o próprio. Josefo usou essa palvra para descrever Isaque que cavava os poços e não entrava em litígio por eles. Um dos exemplos mais bonitos de bondade na Bíblia é encontrado na atitude de Davi com Mifibosete, o filho aleijado de Saul. Exemplo: O Bom Samaritano (Lc 10:25-37), Barnabé (At 4:36,37).
c) Humildade – É não ter um alto conceito de si mesmo (Rm 12:3). Uma pessoa humilde está pronto a reconhecer o valor dos outros e a reconhecer os próprios erros.É honrar os outros mais do que a si mesmo (Fp 2:3-4). Exemplo: O centurião “Não sou digno de que entres em minha casa” (Lc 7:6).
d) Mansidão – Mansidão não é fraqueza, mas poder sob controle. Essa palavra era usada para um cavalo amansado. Mansidão é ter domínio próprio. Trata-se de uma disposição de ceder os direitos. É a pessoa que está pronta a sofrer danos em vez causar danos. Exemplo: Moisés (Nm 12:3).
e) Longanimidade – A palavra macrothimia significa o espírito que jamais perde a paciência para com o próximo. Os insultos e os maus tratos jamais o empurram para a amargura. É suportar as ofensas sem retaliar. Exemplo: Oséias.
f) Suporte fraternal – Não significa aguentar estoicamente o outro, mas servir para ele de escora, de suporte, levando a sua carga. Suportar não é simplesmente tolerar, mas servir de suporte. Somos dependentes. Precisamos uns dos outros. Somos membros do mesmo corpo.
g) Perdão – Não basta apenas não retaliar, é preciso perdoar. Devemos perdoar, porque fomos perdoados (v. 13). O perdão deve ser recíproco, completo e restaurador como o perdão de Deus.
h) Amor – As outras virtudes podem existir sem o amor, mas o amor não pode existir sem as outras virtudes. É o amor que coloca todas as outras virtudes juntas. O amor é o lubrificante que permite as outras virtudes funcionar suavemente. O amor é a solução divina para os nossos problemas. 1) O que é a ortodoxia sem amor? Legalismo frio e repulsivo; 2) O que é a santidade sem amor? Farisaismo reprovado por Jesus; 3) O que beneficência sem amor? Exibicionismo egoísta; 4) O que é culto sem amor? Formalismo abominável aos olhos de Deus; 5) O que é pregação sem amor? Apenas um discurso vazio.

II. A PAZ DE CRISTO – V. 15

• Neste verso Paulo muda sua ênfase do caráter para a conduta. Como pode um crente saber que está fazendo a vontade de Deus? É quando experimenta a paz de Cristo no coração. Quando o crente perde essa paz interior, ele sabe que em algum aspecto ele está desobedecendo a Deus.
• Essa palavra árbitro vem do mundo esportivo. Quando cometemos uma falta, o árbitro pára o jogo. Somos impedidos de continuar o jogo. Quando transgredimos as regras somos desqualificados para o jogo. O caminho para vivermos retamente é designarmos a Jesus Cristo como o árbitro das nossas emoções. Quando transgredimos, ele levanta o cartão amarelo ou o vermelho que é a falta de paz.
• Precisamos ter cuidado com a falsa paz no coração. Exemplo: Jonas deliberadamente desobedeceu a Deus e refugiou no sono no porão de um navio surrado pela tempestade. Jonas tinha uma falsa paz.
• Quando temos a paz de Cristo, temos também paz uns com os outros, visto que fomos chamados em um só corpo. Não podemos ter a paz de Cristo no coração e estarmos ao mesmo tempo em guerra com os nossos irmãos.
• Quando temos paz no coração, temos gratidão e louvor nos lábios (v. 15b). Quando Davi encobriu os seus pecados, ele perdeu sua paz e seu louvor. Quando ele confessou o seu pecado, então o seu louvor retornou.

III. A PALAVRA DE CRISTO – V. 16

A igreja de Colossos estava sendo atacada pelos falsos ensinos dos falsos mestres: GNOSTICISMO, LEGALISMO, MISTICISMO E ASCETISMO. Eles tentavam harmonizar a Palavra de Deus com os seus ensinos. Mas a Palavra de Deus sempre magnifica a Jesus.
• Não são os falsos ensinos que trazem salvação, mas a Palavra de Deus (1:5; 1 Pe 1:22-23). “Habite ricamente em vós a Palavra de Cristo” – O verbo está no imperativo presente. A expectativa divina é que cada crente viva sempre uma vida cheia da Palavra.
• Quando a Palavra de Cristo habita em nós é o mesmo que Cristo habitar em nós (Ef 3:17). Isso significa “sentir-se à vontade em casa ou seja, aquele que tem todas as chaves”.
• A Palavra deve habitar ricamente e não pobremente. O analfabetismo bíblico hoje é grande. As Escolas Dominicais e os púlpitos estão ficando vazios de Bíblia.
• A Palavra deve habitar em cada crente e em toda a igreja coletivamente.
• Quando a igreja é instruída na Palavra, ela torna-se uma COMUNIDADE TERAPÊUTICA – “Instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria”. Crentes espirituais reciprocamente se ensinam e admoestam.
• Há uma inter-relação entre BÍBLIA E MÚSICA na igreja. A pobreza da Escritura na igreja hoje reflete na abundância de canções vazias de conteúdo bíblico que temos hoje. A maioria das canções são escritas por pessoas analfabetas da bíblia. Não podemos separar o louvor da Bíblia.
• Agostinho dizia que os hinos devem ter três características: 1) Devem ser cantado; 2) Devem ser para a exaltação e lourvor; 3) Devem ser dirigidos a Deus.
• O Cântico é uma manifestação também de alegria e felicidade. O crente é uma pessoa feliz. Exemplo: Horátius Spafford “Sou feliz com Jesus”.
• Quando a igreja está cheia da PALAVRA, ela também está cheia de GRATIDÃO. Em vez de queixumes e murmuração, ela fica transbordando de gratidão e louvor a Deus. A música VOCALIZADA deve ser acompanhada pela música DO CORAÇÃO. Quando cantamos apenas pela arte de cantar, a adoração se transforma em ritualismo e não em realidade.

IV. O NOME DE CRISTO – V. 17

• Nossas palavras e ações devem ser feitas em NOME de Cristo.
• Em nome de Cristo significa: IDENTIFICAÇÃO – Nós pertencemos a Cristo.
• Em nome de Cristo significa: AUTORIDADE – Quando o Presidente assina um documento, aquele documento tem a sua autoridade. Quando você assina um cheque, o banco reconhece a sua autoridade. É por causa do nome de Cristo que temos a autoridade de orar (Jo 14:13-14; 16:23-26).
• Nossas palavras e obras não apenas devem ser feitas EM NOME de Cristo, mas para A GLORIA de Deus Pai. Se permitirmos qualquer coisa em nossos lábios ou em nossas atitudes que não possam ser associados com o nome de Cristo, então, estaremos pecando. Devemos falar e fazer tudo pela autoridade do seu nome e para a glória de Deus.
• Qualquer palavra ou ação que fizermos, que não puder ser feita em nome de Cristo e para a glória de Deus não é digna de ser dita ou feita. Exemplo: Minha experiência com os jovens de uma grande igreja no Brasil.

CONCLUSÃO

• Essas quatro motivações para uma vida piedosa estão centralizadas em Cristo. Nós perdoamos porque Cristo nos perdoou. É a paz de Cristo que deve reinar em nosso coração. É a Palavra de Cristo que deve habitar ricamente em nosso coração. O nome de Cristo deve ser a nossa identificação e a nossa autoridade. Na verdade, Cristo é tudo em todos.
• Poderíamos nós ter maiores motivações do que estas para uma vida piedosa?
Rev. Hernandes Dias Lopes

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