quinta-feira, 21 de abril de 2011

Quando Deus disciplina o seu povo

Postado por: Edson Araújo às 23:14 Comente

Quando Deus disciplina o seu povo

Referência: Daniel 1.1-2 INTRODUÇÃO
Referência: Daniel 1.1-2

INTRODUÇÃO

1. Uma retrospectiva histórica
• Deus chamou Abraão. Ele tornou-se uma família. A família tornou-se uma nação. Esta desceu ao Egito, onde permaneceu quatrocentos anos.
• Deus tirou Israel do cativeiro com mão forte e poderosa. Dez pragas vieram sobre o Egito, desbancando as divindades do maior império do mundo.
• Israel perambulou no deserto quarenta anos sob a liderança de Moisés. Durante sete anos conquistou a terra sob a liderança de Josué.
• Surge a TEOCRACIA no período dos juízes. Esse tempo durou cerca de trezentos anos, quando Israel oscilou entre pecado, juízo, arrependimento e restauração.
• Surge a MONARQUIA. Cento e vinte anos de Reino Unido sob Saul, Davi e Salomão.
• Com a morte de Salomão em 931 a.C., sob o governo de seu filho Roboão, o reino se divide em: REINO DO NORTE E REINO DO SUL.
• O Reino do Norte, formado por dez tribos teve dezenove reis, com oito dinastias e nenhum rei piedoso. Eles foram levados cativos em 722 a.C., pela Assíria e jamais foram restaurados.
• O Reino do Sul, formado pelas tribos de Judá e Benjamim, procedia da dinastia davídica. Este reino teve altos e baixos, momentos de glória e tempos de calamidade, reis piedosos no trono e reis perversos e maus. Este reino altenou momentos de volta para Deus e momentos de rebeldia.
• Agora, a nação abandona a Deus, não quer ouvir sua Palavra, e então, Deus envia o seu juízo sobre a nação. Os caldeus vêm sobre eles. Deus os entrega nas mãos de Nabucodonosor.
2. A situação política de Judá
• Nos anos 608 a 597 a.C., reinava em Jerusalém Jeoaquim, que havia sido empossado por Neco, Faraó do Egito (2 Rs 23:34). Naqueles dias duas nações lutavam pelo domínio da região: a Assíria e o Egito. Neco, rei do Egito, subira para batalhar contra o rei da Assíria (2 Rs 23:29). Josias, rei de Judá, temendo pela sua segurança do seu reino, achou melhor atacar o exército egípcio, mas morreu na batalha de Carquemis em 608. Neco, que agora estava com todos os triunfos na mão, destituiu a Jeocaz, filho de Josias, quando este havia reinado apenas três meses, impôs pesado tributo a Judá, e constituiu rei a Jeoaquim, irmão do deposto Jeocaz (2 Rs 23:31-35).
• O castigo de Deus foi retardado, mas não evitado (2 Rs 23:26,27).
• Jeoquim foi um rei ímpio. Seu pai Josias rasgou suas roupas em sinal de contrição e arrependimento. Ao contrário, Jeoaquim rastou e queimou o rolo da Palavra de Deus que continha as mensagens do Profeta Jeremias e mandou prender o mensageiro (Jr 36:20-26).
• Jeoaquim era também assassino. Porque as mensagens do Profeta Urias eram contrárias as seus interesses, ele mandou matá-lo. Urias fugiu para o Egito, mas Jeoaquim mandou sequestrá-lo, ele foi trazido à sua presença e morto à espada (Jr 26:20-23).
3. O cenário político ao redor de Judá
• No ano 606 novos acontecimentos vieram modificar o cenário político-militar da cortubada região. Uma vitória de Nabucodonosor, rei da Babilônia, sobre o Faraó Neco, consolidou a Babilônia como nova potência mundial em ascensão.
• O Egito e a Assíria haviam disputado o predomínio, mas a luta enfraquecera a ambos. Assim, a Babilônia foi quem mais ganhou com essas brigas. Exemplo: Quando dois cães brigam por um osso, pode aparecer um terceiro e levá-lo com a maior facilidade.
• Nabucodonosor fez três incursões sobre Jerusalém: Em 606 levou os nobres (dentre eles Daniel) e os vasos do templo. Em 597 noutra incursão levou mais cativos. O rei Joaquim rendeu-se sem resistência. Nesse tempo foi ao cativeiro também o profeta Ezequiel (2 Rs 24:8). Em 586 após 18 meses de sítio, os exércitos do rei da Babilônia saquearam a cidade. Destruiram-na totalmente. Destruíram o templo. O rei Zedequias foi capturado quando tentava fugir. Foi levado à presença de Nabucodonosor. Seus filhos foram mortos na sua presença e seus olhos foram vazados e ele levado cativo para a Babilônia com o seu povo (2 Rs 25).
4. O cenário espiritual em Judá
• Depois da reforma de Josias, Judá voltou a se esquecer de Deus. Os filhos de Josias não temiam a Deus como ele. Os reis foram homens ímpios. Eles não aceitavam mais ouvir a Palavra de Deus. Os profetas e sacerdotes se corromperam. Os profetas de Deus foram perseguidos, presos e mortos.
• A Bíblia diz que em vez de haver quebrantamento e arrependimento e volta para Deus o rei, os sacerdotes e povo se endureceram ainda mais: “O rei obstinou o seu coração para não voltar-se para o Deus de Israel” (2 Cr 36:13). Também declara que “todos os principais sacerdotes e o povo aumentaram a iniquidade, seguindo todas as abominações das nações, contaminando a Casa do Senhor, a qual ele havia santificado em Jerusalém” (2 Cr 36:14).
5. O poder do Império Babilônico que domina Judá
• A Babilônia tornou-se o maior império do mundo. Era senhora do universo. O reinado de Nabucodonosor abarcou um período de 43 anos. Durante seu reinado a cidade da Babilônia foi embelezada. As muralhas da cidade era inexpugnáveis com 30 metros de altura e dava para três carros aparelhados com mais de 1.200 torres. Ali havia uma das sete maravilhas do mundo antigo, os jardins suspensos da Babilônia.
• O povo de Judá foi arrancado da cidade santa. O templo foi destruído. O cerco trouxe morte e desespero. As crianças morriam de fome. Os velhos eram pisados. As jovens forçadas. Isso trouxe dor e lágrimas ao jovem profeta Jeremias.
• O povo levado ao cativeiro se assenta, chora, curte a sua dor, dependura as harpas e sonha com uma vingança sangrenta.

I. DEUS DISCIPLINA O SEU POVO QUANDO ESTE DEIXA DE OBEDECER A SUA PALAVRA

1. A obediência trás bênção, mas a desobediência maldição
• Os tempos de prosperidade e crescimento de Israel foi durante o reinado dos homens que andaram com Deus. Sempre que um rei se desviava de Deus, o povo se corrompia e sofria amargamente.
• O rei, os sacerdotes e o povo estavam mergulhados em profundo pecado. Pecado de apostasia teológica e depravação moral, ou seja, impiedade e perversão.

2. Quando o povo de Deus é derrotado, a causa principal nunca é o poder do inimigo, mas a sua própria fraqueza produzida pelo pecado

• Judá não caiu, ela foi entregue. Nacodonosor não prendeu o rei, Deus o entregou. Os utensílios da Casa de Deus foram entregues ao inimigo pelo próprio Deus.
3. Em vez do rei rasgar suas vestes ao ouvir a mensagem de Deus, rasgou a Palavra, queimou-a e mandou prender o profeta
• Sempre que os corações se endurecem e deixam de ouvir a Palavra de Deus, o juízo de Deus vem sobre eles.
• A Bíblia não foi destruída pela fogueira. Ela tornou-se apenas mais combustível para o juízo que alcançou o rei impenitente.
4. A certeza do cumprimento das ameaças de Deus sobre a desobediência deveriam levar o povo ao arrependimento
• A Palavra de Deus quando promete misericórdia ou juízo sempre se cumpre. O moinho de Deus moi devagar, mas moi fino. Joaquim pode cortar o rolo do livro e lançá-lo à fogueira, mas não pode evitar o juízo de Deus sobre sua própria vida.
5. A hediondez e a feiúra do pecado aos olhos de Deus deveriam levar o seu povo ao arrependimento
• Foi o pecado que trouxe destruição sobre Jerusalém. Foi o pecado que causou a destruição do templo. Foi o pecado que trouxe a morte de tantas famílias. Foi o pecado que gerou aquele terrível cativeiro. O pecado é maligníssimo. Só os loucos zombam do pecado. Horrível cousa é cair nas mãos do Deus vivo.

II. DEUS DISCIPLINA O SEU POVO QUANDO ESTE SUBSTITUI A OBEDIÊNCIA À SUA PALAVRA POR UMA FÉ MÍSTICA OU CONFIANÇA NO BRAÇO DA CARNE

1. O povo de Judá deixou de confiar em Deus para confiar no templo
• O povo estava seguro que não importava como vivessem, o templo os salvaria. Eles não aprenderam a lição da ARCA DA ALIANÇA na guerra contra os filisteus. A arca foi roubada, os sacerdotes foram mortos e trinta mil homens morreram. Agora, Deus mostra que a confiança no templo não era um substituto para o arrependimento.
• Em Jeremias 6, o povo se reunia no templo e pensava que sua segurança estava na sua religiosidade e não em Deus. Se orgulhavam do templo, mas viviam na prática do pecado.
• Deus não tolera o pecado nem mesmo dentro do templo. Os vasos do templo são profanados para esvaziar a falsa confiança daqueles que deixaram de confiar na Palavra de Deus para exercerem uma fé mística.
2. Quando os verdadeiros tesouros espirituais são perdidos em nossa vida, a perda dos tesouros materiais vêm como sinal da disciplina de Deus
• O povo de Deus já tinha perdido os seus verdadeiros tesouros espirituais, sua confiança em Deus e sua intimidade com Deus. Quando confiamos em coisas e não em Deus, o Senhor pode tirar de nós as coisas para nos corrigir. Deus tirou debaixo dos pés do povo o alicerce em que estavam confiando. Deus removeu o candeeiro da igreja de Éfeso, porque ele deixou de se arrepender.
• O mesmo Deus que usa a vara, também a quebra quando ela deixa de compreender que está sendo usada por Deus. Nabucodonosor precisou ir comer capim com os animais porque pensou que o poder estava em suas mãos. O Senhor derrubou a Babilônia exatamente porque o rei Belsazar zombou dos vasos do templo (Dn 5).
3. Mesmo quando o inimigo está sendo uma vara da ira de Deus para castigar o povo de Deus, é Deus quem está no controle
• Deus reina, quer o seu templo exista, quer não. O templo foi destruído, mas Deus continua no trono. Os tronos da terra se abalam, mas o trono de Deus permanece para sempre.
• “O Senhor lhe entregou nas mãos o rei de Judá” – Deus está no controle da história. Até os ímpios estão a serviço dos propósitos de Deus. Deus é soberano.
• A cidade conquistada, o templo saqueado, os tesouros transportados e os cativos a chorar, tudo isso foi obra de Deus, destinadas a cumprir seus propósitos.
• Nabucodonosor era apenas uma vara na mão do Deus vivo, para castigar o seu povo desobediente. Em Jeremias 25:9 Deus o chama de “meu servo”. Nabucodonosor prestava os seus serviços a Deus sem ter consciência disso. Ele era senhor de quase toda a terra, mas servo de Deus. Colocado sobre os homens, mas debaixo da poderosa mão daquele que dirige o universo, segundo seus planos e propósitos.
4. Quando o povo de Deus deixa de confiar em Deus para confiar no braço da carne, daí pode viver sua própria ruína
• Para fugir do domínio Egípcio, Judá em vez de buscar o Senhor, fez aliança com Babilônia. E a Babilônia a dominou, saqueou, trazendo-lhe grande infortúnio. Quando deixamos des confiar no Senhor para fazer alianças perigosas, conceções suspeitas, entramos numa rota de colisão e caímos no abismo.
• Nenhum inimigo pode ser mais perigoso para nós do que os amigos que tomam o lugar de Deus na nossa vida e confiança.

III. DEUS DISCIPLINA O SEU POVO PARA MOSTRAR-LHE QUE ELE ESTÁ NO CONTROLE DE TODAS AS COISAS E O SEU GOVERNO É UNIVERSAL

1. É Deus quem está comandando o invasor e disciplinando o invadido
• É Deus quem levanta reis e depõe reis, levanta reinos e abate reinos. É o Senhor de toda a terra que levanta uns e abate outros. O coração do rei está em suas mãos.
• Foi Deus quem entregou o rei Joaquim e os vasos do templo na mão de Nabucodonosor. Os ímpios são apenas a vara da ira de Deus. Eles, porém, não sabem disso (Is 10:5-7,15).
• Aqueles que nada conhecem de Deus podem se transformar em instrumentos inconscientes da vontade divina.
• A soberania de Deus inclui não apenas atos de misericórdia, mas também de juízo (Is 45:7).
2. Deus permite que aquilo em que o seu povo confiava seja profanado, para que eles aprendam a depender de Deus e não de uma fé mística
• Eles confiavam no templo e nos objetos sagrados. Deus então permite que esses objetos sejam profanados, saqueados, levados para um templo pagão. Antes de Deus construir no coração deles uma fé verdadeira, Deus destrói as bases do misticismo.
• Os sacerdotes haviam profanado a Casa de Deus trazendo imagens de outros deuses para dentro da Casa do Senhor. Agora, Deus entrega os vasos do templo para serem levados para os templos dos outros deuses. Porque o povo de Deus profanou os vasos do templo com o seu pecado, Deus profanou o povo através do seu julgamento.
3. Deus revela que uma religiosidade externa não pode defender um povo que vive na prática do pecado
• A Arca da Aliança não pode proteger os israelitas na batalha contra os filisteus. O templo e seus vasos sagrados não puderam proteger o povo contra o cativeiro babilônico.
• A nossa frequência ao templo não podem nos garantir vitória espiritual, se a nossa vida pessoal está comprometida com o pecado.
4. O rei ímpio demonstra mais zelo pelo seu deus do que o povo de Deus pelo Deus vivo
• Nabucodonosor não levou os vasos de ouro do templo para a sua própria casa, mas para a casa do seu deus. O seu deus era um ídolo morto, impotente, mas o rei lhe honrava, tributando a ele suas vitórias. Os ímpios são mais fiéis aos seus ídolos do que o povo de Deus ao seu Deus.

CONCLUSÃO

• Daniel 1:1-2 nos ensinam algumas lições práticas:
1) O cálice da ira de Deus um dia transborda – A paciência de Deus tem limites. O mesmo Deus que adverte, aconselha, exorta, chama, clama e insta é o mesmo que usa a vara da sua ira para disciplinar. Quem não ouve a sua suave voz terá que o ouvir o rugido do leão.
2) O pecado não compensa – Aqueles que vivem na prática do pecado um dia serão apanhados. Ninguém pode escapar. Louco é aquele que zomba do pecado.
3) Uma religião apenas de fachada não pode nos ajudar no dia da calamidade – O povo de Deus confiava no templo e não em Deus. Eles eram religiosos, mas não levavam a sério a Palavra de Deus e por isso foram levados cativos.
4) O amor de Deus é visto até mesmo na sua amarga disciplina – Deus ama tanto o seu povo que usa o chicote para lhe trazer ao arrependimento. O povo só consegue se libertar da idolatria no cativeiro. De lá esse povo volta depois de 70 anos completamente livre desse terrível mal.
5) Deus é soberano e seu trono dirige até mesmo as nações ímpias para que elas cumpram os seus propósitos supremos – É Deus quem trás os caldeus. É Deus quem entrega o rei e os vasos do templo. É providente mão de Deus que está por trás do castigo do seu povo. “Por trás de uma carrancuda providência, esconde-se uma face sorridente”. William Cowper.

Rev. Hernandes Dias Lopes

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