quarta-feira, 20 de abril de 2011

As implicações práticas de ser um cristão

Postado por: Edson Araújo às 22:47 Comente

Estudo bíblicos sobre As implicações práticas de ser um cristão.
Referência: 1 João 1:5-2:1-2

INTRODUÇÃO

Lloyd John Ogilvie narra sua experiência de estar no cais do porto de Los Ângeles. Os guindastes gigantescos levantavam os caixotes de mercadoria do navio e abaixavam-nos no cais. Nas caixas estava escrito em letras grandes: “Se este lado estiver para cima, a caixa está de cabeça para baixo.” Se este lado estiver para cima, esta vida está de cabeça para baixo. Como você pode saber que a sua vida está com o lado certo para cima? Como você pode saber que está realizando o propósito para o qual Deus o criou?
Deus criou você para a intimidade com Deus. Deus criou você para ser sincero com ele. Deus criou você para ter comunhão com os outros irmãos. Deus criou você para que você imite a Jesus.
Esses propósitos podem ser adulterados pelo pecado.
Diante das heresias do Gnosticismo que se infiltravam na igreja, o apóstolo João precisa definir com clareza quem é Deus e quais são as implicações práticas de ser um cristão.

1. Deus é luz e não há nele treva nenhuma

O caráter de uma pessoa é determinado pelo caráter do Deus a quem ela adora. Por isso João começa descrevendo a natureza de Deus.
a) É da natureza de Deus revelar-se, como a propriedade da luz é brilhar.
b) Deus é luz também no sentido de possuir perfeição moral absoluta: A pureza e a santidade de Deus.
c) Deus é luz no sentido de que nada pode ficar oculto aos seus olhos.
d) Deus é luz no sentido de ser justo (Ef 5:8-14; Rm 13:11-14; 1 Ts 5:4-8).
e) Deus como luz guia no caminho reto. O efeito da luz não é apenas fazer ver aos homens, mas capacitá-los a andar. Conduta reta, não apenas visão clara é o benefício que a luz proporciona.

2. As heresias que invadiram a igreja e suas implicações práticas

A simetria dos sete versículos é evidente: Primeiro, ele introduz o ensino falso com as palavras, se dissermos. Segundo, ele o contradiz com um equívoco, mentimos, ou expressão parecida. Finalmente, faz uma afirmação positiva e verdadeira correspondente ao erro que refutou, se porém nós…, embora no último dos três versos o término seja diferente(1:7; 1:9; 2:1).
2.1. A primeira heresia é a afirmação de que temos comunhão com Deus, embora ao mesmo tempo “andamos” nas trevas – 1:6-7
Andar na luz é andar com sinceridade, ou seja, não esconder nada.
RESULTADOS: 1) Mantemos comunhão uns com os outros; 2) O sangue de Jesus nos purifica de todo o pecado – Deus faz mais que perdoar, ele apaga a mancha do pecado.
2.2. A segunda heresia é a afirmação de que não temos pecado – 1:8-9
A primeira heresia era de que o pecado não nos afasta da comunhão com Deus.
A segunda heresia é pior, porque ela nega a própria existência do pecado.
A atitude correta não é negar o pecado, mas admiti-lo e confessá-lo.
O RESULTADO: Deus é fiel e justo para nos perdoar e nos purificar.
2.3. A terceira heresia é a negação de que o crente seja susceptível ao pecado – 1:10-2:1
Dizer que não cometemos pecado não apenas é uma deliberada mentira (v.6), ou ser iludido (v. 8), mas realmente é acusar a Deus de mentir (v.10).
O propósito de João é impedir o pecado e não desculpá-lo (2:1).
João faz isso 1) Negativamente – “para que não pequeis” e 2) Positivamente – “Se, todavia, alguém pecar…”
A provisão de Deus é: 1) Jesus como nosso Advogado; 2) Jesus como nossa Propiciação.
A provisão do Pai para o crente que peca está em Seu Filho, que possui tríplice qualificação: 1) Seu caráter justo; 2) Sua morte propiciatória; 3) Sua advocacia celestial (Vida – Morte – Ascensão).
Quais são as implicações de ser um cristão? Existe um contraste nesse texto entre O FALAR E O FAZER. Esse texto nos ensina a como lidar com a questão do pecado:

I. NÓS PODEMOS TENTAR ENCOBRIR OS NOSSOS PECADOS – V. 5-6,8,10

1. Como um crente pode tentar encobrir os seus pecados? Falando Mentira!

a) Falando mentira para os outros – 1:6 – Nós desejamos que os nossos irmãos pensem que nós somos espirituais; então, mentimos sobre as nossas vidas e tentamos em dar uma boa impressão para impressioná-los. Nós desejamos que eles pensem que estamos andando na luz, embora, na realidade, estejamos andando nas trevas.
b) Mentindo para nós mesmos – 1:8 – O problema agora não é enganar os outros, mas enganar-nos a nós mesmos. É possível para um crente viver em pecado e convencer-se a si mesmo que está tudo bem com ele. Exemplo: Davi – escondeu o seu pecado.
c) Tentar mentir para Deus – 1:10 – O pecado pode nos fazer mentir para os outros, mentir para nós mesmos e mentir para Deus, além de tentar fazer Deus mentiroso. Como? Nós contradizemos sua Palavra. Nós aplicamos a sua Palavra para os outros, mas não para nós mesmos. Nós nos assentamos na igreja e ouvimos a Palavra, mas nós somos tocados por ela.
d) Um crente pode mentir sobre sua comunhão (1:6), sobre sua natureza (1:8) e sobre suas ações (1:10).

2. O que um crente que tenta encobrir os seus pecados perde?

a) Ele perde a Palavra de Deus – Ele deixa de praticar a Palavra (1:6), logo, a verdade deixa de estar nele (1:8) e finalmente, ele torna a verdade em mentira (1:10).
b) Ele perde a comunhão com Deus e com o seu povo – 1:6-7 – Como resultado, a oração se torna um rito vazio para ele. O culto uma rotina enfadonha. Ele se torna um crítico dos outros crentes e logo abandona a igreja (2 Co 6:14).
c) Ele perde o seu caráter – 2:4 – O processo começa em falar uma mentira e termina com a pessoa se tornando um mentiroso. Davi tentou encobrir o seu pecado às custas da sua comunhão com Deus, da sua saúde, da sua família, da sua alegria e mesmo do seu reino. Se nós queremos desfrutar da verdadeira vida, nós jamais poderemos encobrir os nossos pecados.

II. NÓS PODEMOS CONFESSAR OS NOSSOS PECADOS – V. 7,9; 2:1-2

1. João nos dá dois interessantes títulos a Jesus: Advogado e Propiciação

a) Jesus é a propiciação pelos nossos pecados
A propiciação significa satisfazer a lei santa de Deus, pois Deus é luz, ele é santo. Ele não pode fechar os seus olhos para o pecado, embora ele seja amor e deseja nos salvar.
Como Deus pode ser justo e santo e ainda salvar pecadores? A resposta é através do sacrifício de Jesus Cristo. Na cruz, Deus em sua santidade, julgou o pecado. Deus em seu amor ofereceu Jesus Cristo ao mundo como Salvador. Deus foi justo e por isso puniu o pecado. Deus demonstrou amor oferecendo livre perdão através do que Cristo fez no calvário.
b) Jesus Cristo é o nosso Advogado junto ao Pai
Jesus é chamado para estar do nosso lado. Quando uma pessoa é chamada a comparecer diante da corte ou tribunal, ele leva um advogado com ele para se colocar ao seu lado e defender a sua causa.
Jesus nos representa diante do trono de Deus. Como nosso Sumo Sacerdote, ele se simpatiza com as nossas fraquezas e tentações e nos dá sua graça (Hb 4:15-16) e como nosso Advogado ele nos ajuda quando pecamos. Exemplo: Josué – Zacarias 3:1-3.
Os méritos do sascrifício de Cristo fazem possível o perdão para os crentes. Porque Cristo morreu pelo seu povo, ele satisfez a justiça de Deus. Porque ele vive para o seu povo junto à direita de Deus, ele pode aplicar as virtudes do seu sacrifício às nossas necessidades diárias.

2. Esconder o pecado não, confessar sim!

a) O que é confessar os pecados?
É concordar com Deus que pecamos “homologeo” é = homologar.
Não é confissão genérica, mas chamar o pecado de pecado: inveja, ódio, mágoa, impureza. Confessar é ser honesto com você e com Deus. É mais do que admitir o pecado, é julgá-lo.
b) Confessar a quem?
O pecado é confessado a Deus. Somente ele tem poder para perdoar pecados.
c) Deus é fiel e justo para perdoar os pecados
FIEL = porque Deus cumpre a sua aliança e sua promessa de perdoar os nossos pecados e deles não mais se lembrar.
JUSTO = Porque Cristo morreu pelos seus pecados e pagou a penalidade que eles merecem.
d) Deus perdoa e purifica
Deus não coloca mais os nossos pecados em nossa conta. Esse é o lado judicial.
Deus limpa, purifica. Esse é o lado pessoal. Deus nos dá um coração puro (Sl 51:10).

III. NÓS DEVEMOS VENCER OS NOSSOS PECADOS – 2:1-2

1. O propósito de Deus é que sejamos vencedores sobre o pecado – v. 1

a) Poderemos vencer o pecado na medida em que andamos na luz- 1:7
Andar na luz é ser sincero. É ser honesto com Deus, com os outros e com nós memos. Sempre que cometermos algum pecado, imediatamente devemos confessá-lo.
Andar na luz significa obedecer a Palavra de Deus – 2:3-4
Andar na luz significa amar a Deus – Um escravo obedece porque ele tem que obedecer. Um empregado obedece porque ele deve obedecer. Mas um cristão, obedece porque ele quer obedecer. “Se me amais, guardareis os meus mandamentos” (Jo 14:15).

2. Cristo não apenas é Propiciação e Advogado, mas também nosso Modelo – v. 6.

Cristo morreu por nós, ele vive para nós e ele é o nosso modelo!

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